OS DESAFIOS DA IGREJA LOCAL E A MODERNIDADE LIQUIDA

26/10/2016 14:44

 

A igreja local é uma expressão visível da igreja de Cristo invisível: da soma de todos os cristãos espalhados pelo mundo inteiro e todos os que descansam no Senhor.

 

A igreja local deve ser um ambiente de família. Onde a igreja local enquanto organização, deve ter uma via de relacionamento familiar, como de pais para os filhos. E por outra via os membros da igreja local como de filhos para com os pais. Quando não há essa recíproca a relação tende a ser fria, indiferente, superficial e descompromissada. Gerando desigrejados.

 

Vivemos em uma modernidade líquida, onde não existe solidez em mais nada. Nem nos valores, nem nos relacionamentos, casamentos, amizades, famílias, instituições, leis, regras, etc. E nós como cristãos devemos lutar contra isso, não nos moldar com esse mundo, onde o durável é chato e monótono, o que importa são relacionamentos rápidos, comunicação curta, tratamentos superficiais e nada onde envolva compromisso. (1)

 

Vivemos uma época em que a oração e a palavra de Deus não é mais o atrativo. Ao invés destes reais valores de uma igreja local, o que fica em primeiro lugar são atividades dosadas com forte apelo ao entretenimento, brincadeiras, meninices espirituais, manifestações extrabíblicas, movimentos de ensinos e práticas contrários ao evangelho de Jesus, shows, encontros sociais, comes e bebi e festas de tudo o quanto é jeito. Detalhe: observamos uma presença maciça das pessoas em ambientes dessa natureza, enquanto que nas reuniões de orações, leitura e estudo da Palavra de Deus tem um público reduzido.

 

A igreja de Cristo, o povo de Deus, precisa gritar como uma voz que clama no deserto. A igreja local contém pessoas que realmente fazem parte da igreja de Cristo, cujos os nomes estão escritos no livro da vida, e são estas pessoas que devem fazer a diferença tanto no meio desta modernidade líquida, quanto na igreja local preservando-a do assédio de métodos que fazem preencher todas as cadeiras da congregação, mas não conseguem povoar o céu. São estas pessoas que precisamos detectar e valorizar (a começar do púlpito). Pessoas que não se moldaram com este mundo no qual descrevi acima (2). Estas pessoas são as que sustentam e fazem a igreja local não virar um clube social, um balcão de negócios e nem um supermercado ao gosto do cliente. Que Deus preserve em nossa igreja local de pessoas assim. Verdadeiros discípulos de Jesus, pessoas que honrem compromissos, de tratamentos profundos, relacionamentos duradouros, que gostem da oração e da Palavra de Deus. Que apareçam mais pessoas assim em nosso meio. Pois não usamos dos métodos supracitados, mas confiamos inteiramente no poder transformador e regenerador do Espírito Santo, nas ferramentas pelas quais ele verdadeiramente usa para que os discípulos de Cristo sejam atraídos (3).

 

Que Deus preserve sua igreja nas igrejas locais e que estas não venham a ser um ambiente hostil aos que realmente querem levar Deus a sério. Que os pastores locais não sejam diplomatas e nem meros promotores de doutrinas, práticas e eventos apelativos para terem cadeiras preenchidas em suas congregações constrangendo os cristãos autênticos. Mas que sejam realmente profetas de Deus no meio do deserto, dispostos a agradar mais a Deus do que aos homens. Que não entrem no esquema deste mundo, deste sistema ardiloso. Que sejam apologistas da fé cristã e não mescladores e sincretistas (4).

 

Referências: (1) Síntese do pensamento de Bauman, autor da obra Modernidade Líquida. (2) “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Romanos 12:2. (3) “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo”. 2Coríntios 10.3-5. (4) “Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus”. 2Coríntios 2:17.