A CONTRIBUIÇÃO NA IGREJA LOCAL NO NOVO TESTAMENTO

04/05/2018 10:31
1. ORIGEM
Antes de entrarmos no tema, precisamos falar sobre a sua origem. O ato de contribuir remota a Abel (na dispensação da consciência), onde a sua oferta foi aceita por Deus, como símbolo de gratidão a Deus pelo fruto de seu trabalho (cf. Gn.4.4). Depois entramos na dispensação da Lei, onde aparece o dízimo como lei cerimonial judaica de contribuição para o sustento das atividades do Tabernáculo e posteriormente do Templo (cf. Ml.3.10). O dízimo dava-se por aqueles que eram agropecuaristas (cf. Lv.27.32; Dt.14.22,28), e todos contribuíam com ofertas (cf. 2Cr.31.6*,11,12; Dt.12.11). Donde vem o termo “contribuição” (terumah: traduzida como “oferta” na versão ARA).
* “Como os sacerdotes e os levitas serviam à nação, eles tinham que ser sustentados pelo povo por meio da cobrança do dízimo. De acordo com Lv.27.30-33 e Nm.18.21,24, o povo tinha que dar a décima parte (dízimo) para suprir todas as necessidades dos levitas. Malaquias 3.8 afirma que eles estavam roubando de Deus quando não davam o dízimo. Deuteronômio 12.6-7 pedia um segundo dízimo que devia sustentar a devoção da nação no templo em Jerusalém. Esse era conhecido como o dízimo das festas. Deuteronômio 14.28-29 pedia ainda um terceiro dízimo a cada três anos para os pobres”. (Bíblia de Estudo MacArthur, p. 581).
O que tiramos de exemplo para a igreja local dessas duas dispensações é que:
1.1 Abel trouxe o melhor para Deus. E por isso devemos contribuir financeiramente com o melhor que temos. E não com sobras.
1.2 O dízimo tem como modelo a sua proporcionalidade (10a parte ou 10%) e a sua prova de confiança em Deus. E por isso devemos contribuir proporcionalmente e confiando em Deus, não duvidando de que esta contribuição vai nos fazer falta.
1.3 As ofertas trazidas têm como exemplo a generosidade para com aquilo que representa materialmente a obra de Deus: A igreja local. E a justiça de Deus: Cristo. E por isso devemos contribuir generosamente e gratos a Deus pela oferta de Cristo por nossas vidas.
2. CONTRASTE DA CONTRIBUIÇÃO ENTRE ANTIGO E NOVO TESTAMENTO.
A contribuição na dispensação da lei era pautada no mérito humano. Conforme vemos na declaração de Malaquias (3.8-10) e de Moisés (cf. Dt.28: 1-14 bênçãos, 15-45 maldições). Entretanto, a finalidade da lei era Cristo (cf. Rm.10.4). Que se fez maldição em nosso lugar (cf. Gl.3.13). Retroagir a lei é cair em maldição, pois não há quem cumpra a lei plenamente (Tg.2.10; Rm.3.23; 1Jo.3.4), apenas Cristo (Rm.5.19).
A contribuição na dispensação da graça é pautada na glória de Deus e em nossa mordomia para com ele (cf. Cl.1.16; Sl.24.1; Rm.11.35). O foco da contribuição neotestamentária é glorificar a Deus por meio da contribuição e com ela abençoar a obra de Deus: a igreja local. E essa, por meio de seus administradores, direcionar os recursos (cf. 1Co.9.5; At.4.34; Jo.13.29).
3. A CONTRIBUIÇÃO NA IGREJA LOCAL NO NOVO TESTAMENTO. Na dispensação da graça, quando veio Cristo. Já nos primórdios do seu ministério havia uma contribuição voluntária de pessoas com o trabalho de Jesus (cf. Lc.8.1-3). Judas Iscariotes cuidava do dinheiro (cf. Jo.12.6; 13.29). Isto é, havia um caixa e um tesoureiro. Uma contribuição que funcionava paralelamente ao dízimo e oferta que era dado no Templo judeu. Onde todos os discípulos, Jesus, e demais judeus contribuíam.
3.1 O destino do dinheiro.
a) Sustento do pastor (cf. 1Tm.5.17,18). O líder da igreja local, representado no “presbítero”. Equivale ao pastor ou bispo (cf. At.20.17,28) era um pastor local designado para liderar uma igreja local (At.11.30; 14.23). Conforme vemos na metáfora do “boi que debulha” ele era mantido pela igreja.
b) Ajuda as pessoas carentes (cf. 1Tm.5.16; At.6.1; 2Co.9.5-13). Nesses textos vemos viúvas e irmãos carentes serem contabilizados nas despesas da igreja primitiva.
c) Administração & Ministérios da igreja (cf. At.4.32-37). Os apóstolos recebiam as contribuições e eles administravam para onde eram direcionadas. E, pelo que vemos no texto, ocorria para ajudar aos irmãos carentes. Pois os judeus conversos eram desprezados por seus familiares, e o ônus ficava com a Igreja, em dar-lhes sustento.
3.2 A forma de contribuição.
a) Segundo determina cada contribuinte (cf. 2Co.9.7). Apesar do referido texto tratar-se de uma contribuição para ajuda aos irmãos carentes. Serve como exemplo da contribuição na igreja local neotestamentária.
b) Com alegria ou prazer (idem). Contribuir sem esse elemento faz da sua contribuição uma oferta como a de Caim (cf. Gn.4.5).
c) Não com tristeza ou constrangimento (idem). Ninguém deve ser escravo da avareza, e por isso ser impedido de contribuir ou contribuir sem prazer. Bem como ninguém deve ser constrangido a contribuir. Deve fazer isso espontaneamente.
d) Com regularidade e proporcionalidade (1Co.16.2). Este último texto prova que aos domingos - “primeiro dia da semana”, semanalmente, a igreja contribuía quando se fazia presente. Isto é, era uma contribuição contínua e não aleatória. E, conforme o texto, esta contribuição deve ser proporcional.
CONCLUSÃO. É de utilidade ao exercício da missão da igreja local, destacando-se: prestar culto a Deus (Sl.95.1,6; 96.2,3; 1Co.14.26; Ef.5.19; Cl.3.16), doutrina, comunhão, ceia do Senhor, oração (At.2.42; 1Co.11.23-26), fazer discípulos, batizar e ensinar (Mt.29.19,20), que seja entregue contribuições continuamente (preferível mensal) e proporcionalmente (preferível 10% das rendas) para que estas coisas possam ser realizadas; para que o ministro de culto possa ter sustento, para manutenção predial do local de culto, para o envio de missionários, para a realização dos demais serviços da igreja.
Atenciosamente,
Pr Danie Durand (ThB.)